segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Crônicas de Whisner Fraga





EM NOME DO PAI   





Whisner Fraga é escritor. 
- Academia de Letras, Artes e Música de Ituiutaba -

Vivíamos numa penúria danada, à base do feijão com arroz dia sim dia não, do tipo que brincam por aí: vendendo o almoço para comprar a janta. Não tanto por culpa nossa, pois tínhamos uma casinha alugada, o que nos garantia um bife de vez em quando. Só que o inquilino não pagava o aluguel há três meses e minha mãe, divorciada, não sabia mais o que fazer.

Ela já havia tentado um diálogo, mas a coisa empacara. O sujeito argumentava que não ia pagar o aluguel porque não. Boa justificativa ele trazia. Então, como um dos homens da casa, resolvi correr atrás e ligar para o sujeito, cobrando. Atendeu a filha do malandro, na maior calma do mundo, me perguntando o que eu desejava. Disse que queria falar com o pai dela. Qual o assunto? Respondi: É particular, só com ele mesmo. Ela rebateu: sendo assim, não vou chamá-lo. Claro que ela não falou com essas palavras, até porque seu português era bastante limitado. Mas foi mais ou menos isso.

Tive de adiantar o assunto: que ligava para cobrar três aluguéis atrasados. Então, a surpresa, ela começou a soltar uma série de impropérios, que iniciou assim: você sabe quem é meu pai? Eu e mais de metade da cidade sabíamos, pois ele era um político de carteirinha, mas não era por aí que conseguiria algo. Nas cidades pequenas, provincianas, isso acontece: uma família ganha fama, um sobrenome adquire importância, principalmente por estar ligado, em algum momento da história, a dinheiro e poder, e se utiliza disso sempre que pode.

O fato é que honestidade é honestidade e estavam querendo nos passar a perna e, ali, uma arrogantezinha me perguntava se eu sabia quem era seu pai. Eu brinco com meus amigos que a raça humana não merece nenhuma chance não, tinha de ir para o beleléu o mais urgentemente possível. A coisa mais linda do mundo é alguém em seu “leito de morte” percebendo o verdadeiro alcance de sua força.

Eu não sou vingativo, de vez em quando xingo alguém, me revolto, mas no mais das vezes adoro ficar calado no meu canto, observando a vaidade dos homens. Acho que dão muito valor a essas bobagens. O que é um sobrenome senão uma fantasia herdada independentemente da nossa vontade? Eu achei muito injusta aquela atitude, mas hoje sei que é a vida. Não à toa presenciamos constantemente o quanto ela vale hoje, essa vida, nas cenas de violência nos jornais nacionais por aí.

Não fui totalmente justo ao dizer que essa história de família é prioridade do interior. Nas capitais isso acontece também. Daí que, quando me perguntam por que tirei um sobrenome do meu nome artístico (meu nome completo é Whisner Fraga Mamede e meu nome artístico é Whisner Fraga), eu acho a pergunta tão despropositada, que nem sei o que responder. Foi só uma escolha sonora, se eu for ponderar. Mas imagino que se eu me chamasse João das Oliveiras, não faria diferença alguma e gostaria de ser lembrado pela minha luta cotidiana para me tornar um ser-humano digno e justo. E nisso, eu poderia me tornar até folclore. O resto seria até preferível que esquecessem.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Crônica de Dr. Rerivaldo Souza Marques

                         












          Palavras: pê por pê



                          (ATENÇÃO: Texto produzido com 750 palavras iniciadas com a letra “P”).
                                
Preliminarmente: peço permissão para palavrear.

Processo Penal. Partes pólo passivo. Protagonistas: Paulo Peralta Pontes Prado, por procuração: Procurador: Plínio Paranhos. Protásio Pacífico Pestana Pafúncio, por procuração: Procurador: Peterson Petrônio. Promotor Público: Pitágoras Prudente Perfeito.
Presidente processual: Pilatos Poderoso Paes Pereira Portela.
Pedrinho: Prova presencial, pedinte praça próxima Poder Público / Palácio.

Posterior preâmbulo, prefácio:
Peterson perguntou: Pedrinho, pedistes para participar? Pelo propósito prestar pronunciamentos pró-processo penal? Pois perquirir, perguntar: Prática para promotores, preclaros procuradores.
Porquanto, precisas participar?
Pedrinho prestativo ponderou: paciência parceiro, pois possuo projeto. Prosseguiu: pretendo presenciar, pois participando posso perfeitamente provocar pedido procedente para Protásio – pessoa pacata. Provavelmente, parar-lhe perseguição.
Portanto, pertinente projetar-me pelo plenário. Pretensão: permanecendo próximo púlpito, prova presente poderei persuadir Paulo para precipitar-se, perder pose, perder processo. Perspectiva plausível. Previu, profetizou, prometeu Pedrinho.

Peterson Petrônio perplexo, pensou, piscou, precavido perguntou: Podes, possivelmente pela palavra, presença, produzir provas produtivas, profícuas, para poupar Protásio Pacífico, portanto, punir Paulo Peralta?
___ Pasme Peterson! Pois posso. Presenciei. Possuo provas.
___ Peterson: puxa! Pedi por provas para: políticos, padres, profetas, pastores, professores, prostitutas. Pleiteei, procurei, persisti. Passei por percalços, peripécias; palmilhei passo por passo, percorri pelo planeta procurando provas. Porém, Pedrinho pobrezinho, pedintão, por perto. Prova presencial. Pensem: porventura Pedrinho produzirá provas preciosas para processo penal, poupando Protásio, pessoa pura? Punindo Paulo, pessoa perversa?
Permitido. Pedrinho pode participar processo penal. Puxa, providenciei prova presente, precisa para Protásio. Palavras proferidas por Peterson Petrônio.

Pedrinho penetrou-se permeio plenário, “pari passu”, postura: personalidade persistente, pertinaz, provocativa, polêmica.
Paulo – petulante, perverso, pilantra, perseguidor, paspalho, percebendo Pedrinho: prova presente, pôs-se pálido. Pensou pensamentos péssimos. Periclitante, Paulo precipitou-se pela porta pulando pelas poltronas, pisando papéis, porteiro, pessoas.
Policarpo, policial presenciando, prevendo pelo pior, propalou: Pare! Pare! Pegou Paulo pelo pescoço, passou-lhe pescotapa. Para polícia: pau pau, pedra pedra.
Pois Paulo pretendia partir, pirulitar-se. Porém, partida precipitada, proibida, perigosa, pretensiosa, prematura. Paulo partindo possibilitaria protelar, procrastinar processo. Porém, Paulo parou. Parou porque policiais prenderam-no. Policiamento positivo.
Pararam Paulo.  Policiais pegaram-no pelo ‘papo’. Pedrinho provoca Paulo, pronunciando: pipocou! Pipocou!

Promotoria Pública, pressionou, preconizando: Perdeu Paulo! Pois Pedrinho possui provas. Pedrinho presenciou!
Paulo percebendo-se praticamente perdido, providencialmente pugnou por pacto para Promotor Pitágoras permitir paralisação processo penal – parlamentando, pleiteou por piedade, perdão, paz. Pediu para paralisar processo. Proposta perdida, prejudicada.
 “Parquet” - pela perplexidade, pela prudência, por precaução, pensativo, pediu prazo para preparar parecer posteriormente. Protelada posição.  Prorrogação permitida.

Pilatos Poderoso Paes Pereira Portela presidente processo, permitiu prazo para partes processuais prestarem petitórios pendentes, por procedimento pragmático. Portanto, postergada prolação. Publicações providenciadas.

Passado prazo:
Pitágoras Prudente Perfeito, perspicaz Promotor Público, proferiu posicionamento. Para Paulo, pivô pendência penal, pelas peculiaridades pessoais, picardias, por periculosidade, pague preço pelas perfídias, pelas presepadas praticadas (provérbio português?), postulou penalidade... prisão. Porque perversidade precisa punição, punibilidade.
Porém para Protásio, proclamou: Protásio passou por problemas penais, pronunciado, processado pelas perseguições, petições pífias, prolixas, perversas, preparadas por Paulo. Portanto, Protásio perseverante, probo, pessoa pura, pode partir.

Procuradores prevenidos produziram, portanto, peças processuais:
Peterson Petrônio, procurador - peticionou propugnando pelo provimento para Protásio. Pediu para Protásio partir. Pleiteou prioridade processual possível.
Plínio Paranhos, procurador pela parte: Paulo - persistiu pedindo penhoradamente prescrição, perdão, paralisação processual.
Passado prazo previsto processualmente. Pedidos protocolizados. Processo perfeito, preparado - pronto para pronunciamento presidencial.

Pilatos Poderoso Paes Pereira Portela, presidindo processo penal, pacientemente pegou pente, penteou-se. Portando paletó preto/petróleo, pano passadinho. Pilatos, pontual, posudo, prolixo, perfeccionista, perfumado. Para prolatar posicionamento, procurou pesquisar plenamente pormenores, princípio probatório, portanto, perfez prolação.
Porém, primeiramente, por prece, pediu proteção para protetores, persignou-se pausadamente, prolatou:

“Positis”:
Pelos preceitos penais, pesquisei primórdios processuais, perscrutei provas presentes, portanto, proclamo: para Protásio, pessoa pura, polida, pacífica, posiciono-me: pode partir. Porém, Paulo precisa pagar pelo pretérito podre, promíscuo, pernicioso. Para Paulo, pessoa pérfida, pervertida, perseguidora, paranóica, perfil psicopata: prisão perpétua.
Publique-se!

Procurador Plínio, protestou:
Posicionamento “plus petita”, prejudicial para Paulo. Peço providências pelo Pretório.
Paulo pôs-se perturbado. Por pânico, pavor pipi percorreu pelas pernas, pés. Pediu pinico. Pós-perturbação: pasmo, pessimista, prostrado, parado - parecia petrificado. Pensou profundamente: Poxa! Perdi peleja, pendenga. Paulo partiu para provocação, praguejou: Pedrinho pirralho, peste, praga, parasita, plebeu, palhaço!

Policial plantonista, polivalente, previdente, propagou: Paulo, pro pau! Pra penitenciária! Pro pote! Preso patife!

Pedrinho por perto, produzindo piadas, pulando pronuncia: polícia prestativa, preparada, pronta para prender. Prendeu Paulo. Parabéns pelos préstimos prestados pro país. Pedrinho permaneceu provocando Paulo Peralta: prisioneiro, perrengou? Procure psicólogo, psiquiatra, pajé, papa. Pois, perdeu, perdeu!
Pedrinho prosseguiu: Prêmio! Protásio premiado pode partir para praia, pro piquenique, pro Projac, para Paris! Passaporte providenciado, passagens pagas. Porém Paulo... Parta pro... presídio, ‘pianinho’!
Porquanto, prisão perpétua? Protesto! Puts! Pouco, pouco. Pena pequena.

                                Autor: Rerivaldo de Souza Marques.


                                Advogado. Por três mandatos foi presidente da 44ª Subseção da OAB-MG. Conselheiro Seccional da OAB-MG e Membro do Órgão Especial da OAB-MG – 2007 a 2012. Recebeu do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais Comenda e Medalha “Desembargador Hélio Costa” pela atuação como advogado. Especialista em Direito Processual Contemporâneo pela UNESP – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Crônicas de Sonone Luiz

















Sonone Luiz Vilela C. Junqueira

O que é inovar? Mudar conceitos, agregar valores, descartar obsolescências e, por aí afora. Nós, seres humanos, precisamos da inovação, assim como as empresas e os negócios. Inovar não é somente atualizar. Tem um significado de sobrevivência que está associado à competitividade. 
                             
   O atual cenário planetário, resultado de uma competitividade predadora, precisa da inovação saneadora para sua sobrevivência. Mudar focos. Mudar estratégias. Mudar a própria visão da sobrevivência que deixa de ser imediata, para voltar a ser de longo prazo.                            
                                                                            
Inovar é algo fenomenal porque requer sair do lugar comum. Do comodismo. Sair da “zona de conforto” requer uma disciplina e uma forte coragem. Nem sempre é fácil, mas quando “posto em cheque”- desafio, a situação, por obrigação, tem que mudar. É um paradigma da sobrevivência: ou muda ou morre.

Dentro desse raciocínio, na maioria das vezes, a liberdade natural não é compreendida, pois enquanto não há uma restrição dessa liberdade, a coisa continua com sua rotina.                                                                                                               
 Há uma acirrada luta entre o que eu quero (necessidade) e “o que os outros querem para mim” (forçar o consumismo). Isso é um cerceamento de liberdade? Acredito que sim, pois pode estar inibindo a minha oportunidade de escolha daquilo que preciso realmente. Um cerceamento prévio da liberdade.     

  Daí, outra coisa: a sociedade quer liberdade, mas não quer compromisso. O compromisso tem que vir primeiro para que, depois, se possa usufruir da liberdade.                                                                                                                                     
 A inovação tem muito a ver com essa liberdade. Por exemplo: nas escolas, os alunos querem nota, não querem aprender. O aprender, que deveria ser o compromisso do estudante. Não é. Ele, o estudante, em tese e na prática, quer nota e não quer estudar para aprender. 
                                                                                      
  Isso é sério. Não há compromisso e nos induz a ver velhas repetições, sem nenhuma inovação, numa escola morta e inútil, na sua missão de ensinar e promover um desenvolvimento sadio e do bem.    
                                                  
     Não se pode aceitar isso como algo natural. Os compromissos, sendo afetados, afetam as nossas liberdades e todas as propostas de progresso vão ser afetadas, assim como serão afetadas, as competências.         
                                   
  Nós, cidadãos que nos consideramos do bem, estamos acuados em nossos lares e moradias, nas nossas liberdades. Precisamos inovar para sobreviver aos desencantos da política corrupta, das violências pernósticas e abusivas, e, da falta de compromisso que começa na educação. Desde a educação do berço, do trânsito, até à educação ambiental doméstica, que no seu bojo, carrega a contaminação total do ambiente do planeta.

Se não inovarmos a nossa consciência do fazer e não sairmos do comodismo doentio, estaremos marchando para um genocídio geral, levando junto todas as espécies que não humanas.                                                                         
   Muito forte? Não sei! Precisamos acordar e fazer alguma coisa que tenha um significado maior. Vamos pensar nisso e trabalhar para isso!


terça-feira, 17 de outubro de 2017

Crônicas de Jarbas W. Avelar



FELICIDADE


Engana-se quem acha que pessoas sejam felizes por estarem em lugares famosos e cheios de diversão... Assistir filme, jogo de futebol, peça de teatro, é entretenimento! Terminado o filme, o jogo, a exibição da peça, a sensação de felicidade desaparece porque era apenas divertimento.  

A expectativa de felicidade nos leva a estudar, trabalhar, casar, adquirir bens materiais: carro novo, casa luxuosa, celular de última geração... No entanto, essa expectativa de felicidade é desfeita  pelo filósofo grego Aristóteles, há mais de dois mil anos, com a advertência de que “alcança-se a  felicidade é com o exercício da virtude e não da posse!”.  

Mas, a expectativa de felicidade não se dá por vencida. Ao mesmo tempo em que ela nos convence de que a conquista, em si, é a coisa mais importante do mundo, ela, a expectativa de felicidade, afasta de nós a percepção de que cada conquista provoca em nós necessidade de outra conquista. Consequentemente, ficamos tão somente na expectativa de felicidade. 

Para complicar, no meio desse tiroteio, temos de demonstrar que somos felizes porque ser feliz passou a ser uma obrigação! 

Em virtude dessa obrigação, há pessoas que fazem força demais para dar a impressão de que são felizes e sofrem muito por causa dessa fonte terrível de ansiedade e depressão! “A depressão é o mal dessa sociedade que decidiu ser feliz a todo custo”. Pontificou o escritor francês Pascal Bruckner, no seu livro “ A Euforia Perpétua”. 

A compreensão de que divertimentos e conquistas nada têm a ver com felicidade desperta em nós sentimentos libertadores do condicionamento mental de que felicidade se compra.

“Felicidade é um estágio psicológico passageiro de profunda serenidade íntima e é projetada para evaporar". Escreveu Robert Wright, autor do livro, “O Animal Moral: Psicologia Evolucionária e o Cotidiano”. Segundo ele, "se a alegria que vem após o sexo não acabasse nunca, a espécie animal copularia apenas uma vez na vida!”. 

"Não existe uma fórmula para ser feliz”. Conclusão do pesquisador David Lykken, da Universidade de Minnesota, EUA. 

E, para complicar mais um pouco, os cientistas Martin Seligman, psicólogo da Universidade da Pensilvânia, Mihaly Csikszentmihalyi, pesquisador da Universidade de Chicago e Richard Davidson, da Universidade de Wisconsin, prelecionam: “Para que o homem mova o mundo ele não pode ficar acomodado naquele estágio psicológico de profunda serenidade íntima no qual não se tem vontade de mudar nada. Daí a necessidade de ser infeliz”. 

Essa colocação, aparentemente contraditória, surpreende-nos e nos leva às aulas de Filosofia do Direito, do nosso Curso de Direito na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo-PUCSP, ministradas pelo saudoso Professor André Franco Montoro, então Governador de São Paulo. Com irradiante simpatia, sua marca pessoal, e com seu agradável humor, disse: “Antes de iniciarmos nossos estudos de Filosofia do Direito, devemos nos reportar à Filosofia e, para compreendê-la, imaginamos duas pessoas conversando; uma falando do que não entende e a outra fingindo que está entendendo”.(Rsrs)

Felicidade é na verdade uma ilusão. A sugestão para ser feliz é não se preocupar muito em ser feliz.

Ao compreendermos que divertimentos e conquistas não trazem felicidade, nova orientação vai direcionar nosso comportamento e mudar radicalmente nossa vida para melhor sem nos causar infelicidade.


Jarbas W. Avelar  
 Advogado e Escritor

domingo, 15 de outubro de 2017

Crônicas de Isabel Cristina de Freitas



Eterno renascer

        "É certo, afinal de contas, que neste mundo
nada nos torna necessários
a não ser o amor."
(Johann Goethe)











        "É urgente compreender que a alma é a mais pura manifestação Divina que o ser traz consigo."
        Nas impressões que se delineiam e se entrechocam na caminhada infantil, penso que as crianças se desabrocham por entre os espinhos de uma cruel sociedade, erguida pela insensatez do egoísmo.
        Crianças... Crianças...
        Ricas, pobres, num mundo pobre, num mundo rico, onde as fazem menos ou mais felizes, frente ao poder da ambição, da ganância, da imprudência, do desamor, da desonestidade, da deslealdade, da falta de compromisso humano e familiar, do egoísmo, do egocentrismo...
        Crianças tão puras!...
      Crianças que crescem para a vida vendo e ouvindo contradições, incoerências, desesperos e frustrações contidas, mal resolvidas, entre o caminhar de idas e vindas da vida cotidiana de cada ser.
       Crianças tão puras!...
      Feitas de candura e simplicidade, ouvem bons conselhos, instruções corretas, mas vivenciam maus comportamentos. Feitas para o bem, elas observam a maldade. Vão crescendo, observando, ouvindo, vendo e aprendendo...
        Crianças tão puras!...
       Crianças que desabrocham como flores, entre espinhos, machucadas, assustadas, se desnudam frente às desilusões reveladas pelos entes humanos que as cercam.
        No entrechoque das impressões que as torturam e as escandalizam, sentem as contradições que se deslizam e as desiludem entre o real e o irreal de suas fantasias.
        As crianças se abrem para a vida diante de lições de dores que as destroem. Sem rumo, se perdem por entre caminhos tortuosos que as desencaminham, sem poderem se apoiar naqueles que mais amam...
        Crianças tão puras!...
        Que futuro será esse que lhes esperam? Futuro preparado pela força brutal do egoísmo, pela desarmonia cruel da ambição, pelo materialismo desenfreado, pelo desequilíbrio das emoções internas.
        Crianças tão puras!...
      Revestidas pelas impressões que se entrechocam na imaginação infantil, nas impressões marcadas, nas inteligências, nos corações, na alma; machucadas, ficam com vontade de desabrochar entre as flores, vivenciar a beleza da tonalidade da natureza pura e verdadeira, onde se encontram a caminhar no eterno renascer.


* * * * *
             Autora: Isabel Cristina de Freitas
O amor é o alicerce que dá vida. Pessoa desprovida desse grandioso sentimento se desqualifica, pois equivale a um ser vigente, sem virtude, numa pequenês, deixando-o sem irradiar brilhos naturais, tornando-se desvalorizada diante da grandeza da vida.
Neste aspiral frenético, incontido, penso num trinônimo palpitante de vida: pensar, crer, amar!
O tempo é precioso compasso, nós somos a clave de sol que dá brilho à vida! Ele se faz necessário, presente em todos os momentos vigentes, recomendado em todos os tempos, em todas as idades: pensar, crer, amar!
Quanto parece fácil amar! Quanto é sumamente confortador CRER! Quanto pensar parece tão natural à criatura humana! Ainda se faz necessário considerar o trinômio: pensar, crer, amar!
Nessa geométrica ventura do existir e ser, até as paralelas se encontram no infinito, e os pensamentos como num grito, se convergem entre o sentir e o ser, que nos entorpece de luz e brilho! Globaliza a natureza interativa, através do núcleo vital. Que esplendor e fascinante os raios fátuos que há nesta fusão!...
Sentir é próprio do animal irracional e até das plantas. Porém, pensar é do homem, criatura racional. Refletir e meditar, aprover-se do assunto, conhecer profundamente, viajar dentro de seu âmago, antes de falar, para saber produzir e conduzir o seu bem viver é de suma importância e valor.
Como luz nova para os clarões do pensamento, acima da ciência, seja colocada a fé. Fé simbiótica e paciente. Mas acima de tudo Crer com aquela fé viva, ardente, singela, clara e inabalável.
Ao alcance de todos estará sempre este diadema de ouro onde cintilam estrelas imortais: pensar, crer e amar.
Amar não apenas com amores banais, sem a completa e interativa unificação do eu e você a se completar, dentro da verdadeira essência humana do nosso ego, do nosso superego, nos levando a um amor puro e transcendental.
Eu penso que há de sempre se plantar a sabedoria, entre os homens, do amor, do pensamento e da fé que nos conduz firmemente a crer, para que sempre permaneça vivo e imortal o trinômio em todas as idades, em todos os tempos. Nunca se acabem no vazio das vaidades, pois o tempo não pára... Cumpre alucinadamente seu destino, dia após dia, noite após noite, em uma sequencial rota traçada e cadenciada como se fosse um hino, num acelerado melodiar o espaço sideral... e que nunca se esgotem as forças que nos conduzam ao amor. Será ele o inspirador da verdadeira essência nítida de nossos pensamentos, nos garantindo e inspirando o traçado do verdadeiro caminho da fé que nos leva a crer e realizar, o triunfo da vida, o verdadeiro sentido de ser e viver de cada ser humano no sentindo integral, diante de: pensar, crer e amar!


sábado, 14 de outubro de 2017

Crônicas de Sonone Luiz







Sonone Luiz Vilela Carvalho Junqueira


PONTO DE VISTA


            O ontem é um passado recente, mas é passado. O homem de ontem tinha uma vida melhor e não sabia. Isso é uma assertiva verdadeira? Bem, pode ser! Depende da ótica de análise e essa ótica não mudará o acontecimento passado.
Acredito que isso é interessante, pois o tempo é um recurso imediato. Ou usa ou não usa. Já passou! Quantos recursos perenes nós temos e não usamos? Vários, creio eu.
O homem, independentemente, se de ontem ou se de hoje, é um ser perdulário. Isso posso afirmar. Perde-se tempo em demasia e não usa todos os recursos disponíveis.                                                                                                A questão do progresso e do desenvolvimento passa por aí, pois é o aproveitamento das oportunidades e aproveitamento, sobretudo do tempo disponível ou em potencial, que não se faz.
Nesse caso, o ontem deve ser olhado para perceber as diferenças de evolução e se posicionar adequadamente no sistema. Saber o que se quer e fazer aquilo que se quer. Usar da experiência para reorientar rumos.
Somente a educação (conhecimento) e o gerenciamento dessa educação consegue isso, no meu entender. Então, independente do passado ou do presente, o que interessa é usar a experiência que já se tem para alavancar um futuro de realizações e sucesso.
Esse é o homem focado e consciente daquilo que dispõe para suas transformações pessoais e coletivas.                                                                          
   O momento é de análises diversas e críticas severas com respeito às políticas do conhecimento (educação), como um todo.                                                Interesses diversos. Momentos e experiências novas vivenciadas e conectadas pelos atores principais que somos nós, os cidadãos, mas que nem sempre decidimos.    

                                                                                                                 Convênios, intercâmbios à disposição, mas que de certa forma, obscuros. Não sei! Nós, somos um país independente, mas súdito de economias predadoras. Uma situação que parece cômoda para aqueles pseudos gestores que normalmente decidem.                                                                Fundamentar o conhecimento e gerar esse conhecimento. Depois gerir esse conhecimento. A questão fundamental desse conhecimento é a sua gestão com objetivos reais e concretos para a transformação inteligente da sociedade.
Podem-se ter as melhores ideias transformadoras e redentoras da educação (conhecimento), mas se não forem geridas com competência, não produzirão os resultados necessários.
Se não forem geradas do cidadão para o cidadão e para o bem da coletividade, não servem para nada. Esse é um ponto de vista! 
O tempo é precioso e devemos aproveitá-lo de forma coerente seja de forma pessoal ou coletiva. Precisamos de lideres comprometidos com o bem e que possam representar os interesses do cidadão (nosso), para o cidadão. Tarefa hercúlea, mas não impossível...    

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A TESOURA
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Em1933, lá no século XX, o casal teve sua primeira filha. Moravam na fazenda e lá pelo final da década e início dos anos quarenta, mudaram para a cidade de Ituiutaba-MG. A filha precisava estudar. A mãe e o pai lutavam pela instrução dos filhos que vieram nascendo - cinco no total.                                                           No passado isso só era possível, uma boa educação escolar, lá pela cidade do Prata ou mais para a frente – Araguari, Uberaba ou outras cidades maiores. Agora, Ituiutaba já tinha escolas promissoras. Ficava mais fácil.                 Junto com a mudança, vieram as novidades que sempre chegam e, chegam também mais necessidades. Necessidade de boa apresentação, de boas vestimentas... e por aí afora.                                                                                     A mãe entrou para aprender a arte do corte e da costura. Habilidosa com era, num instante, tornou-se costureira primorosa e, para a família, era a artífice de todas as horas.
·         O pai, quando viu o carinho e a habilidade da mãe de seus filhos, foi lá na “Casa do Valico” e encomendou uma tesoura de qualidade reconhecida e presenteou sua esposa com aquele artefato.
·         Realmente, aquela tesoura ajudou numa série de execuções de partituras primorosas, de confecções de roupas especiais para a família. Foi vestido de formatura da primeira filha; vestidos de casamento; calças diversas para os filhos que foram crescendo e ficando exigentes; Para o marido; Roupinhas para os netos que foram surgindo e as próprias roupas, porque eram da “grife” doméstica e especial.   
·         O tempo, esse deus cronológico implacável, transformou o brilho do aço da tesoura, em um prateadocinzento, que a ferrugem nunca conseguiu atacar e, o carinho com a lima ou pedra de afiar, nãodeixou mutilar suas lâminas que permaneceram perfeitas e ativas.                                                                Vieram netos ,bisnetos, ”tataranetos” e modificações diversas nos costumes e usos da vida e da sociedade. Vieram e atravessaram as ruas da cidade. Entraram pelas casas, assim como o rádio, a televisão, os computadores, os celulares e todo o tipo de modernidade.                                               A tesoura continuou por acompanhar a sua operadora e a “criar” milagres na arte da costura. Veio também a viuvez e a dor da perda de dois filhos – uma difícil adequação para a esposa dedicada e para a mãe amorosa. Mas são os desígnios ditados por Deus. “Temos que compreender”.                                  Quem está vivo tem sempre necessidade de vestimentas. A tesoura continuou a atuar e a distrair sua operadora, das tristezas e mazelas do momento.
·                     A cidade, com certeza cresceu. As ruas se modificaram. De pedras, por pavimentação, surgiu o asfalto moderno. A modesta casa, que quase era de periferia, virou centro. Nada disso impediu a vida de fazer cumprir suas metas, estabelecidas pelo Criador Maior e, o tempo veio passando. No calendário, adentramos ao século XXI, com suas promessas e com suas ameaças.                                                                                                         
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·         A tesoura continuou sua missão: cortar e formatar modelos de roupas para vestimentas ou não. Seja para quem for, seja para qual necessidade imediata. Uma certeza essa tesoura sempre teve – aquela costureira sempre a tratou e a tratava com omaior desvelo e nunca descuidou dos cuidado inerentes e necessários ao bom funcionamento de seus atributos funcionais.                      Veio então, no roldão das modernidades, a explicitação de um antigo hábito  do que parecia ser de uma minoria, em  tese, que desaguou na casa da dona da tesoura. Ladrões! Esses perversos agentes, que na maioria das vezes agem na calada e na surdina, para surrupiar aquilo que a dignidade não lhes deu e que a safadagem urdiu fazer.                                                                            Pois é! Levaram muitas coisas, aproveitando da simplicidade das circunstancias e do oportunismo malfadado de suas intenções. A casa ficou visada. Vieram uma, duas, mais vezes vieram. Os moradores se defenderam –grades, ferragens diversas...                                                                                                      Parecia brincadeira. Não se sabe se eram os mesmos. Nunca eram vistos. Só se via a ausência dos objetos e o estrago gerado.” BO(Boletim de Ocorrência),porque não foi feito? Não adianta! Nunca consegue achar. Se pega o ladrão, a lei solta. Fica pior. Deixa pra lá.”                                                                  Reforçado a segurança, tomado boas providencias mas,”a classe”, deve ter algum outro tipo de proteção. Vieram de novo. Arrombaram a porta e, como não tinham muito o que levar, da modesta vivenda, levaram a tesoura quase centenária, como sua proprietária – vai ver que pensaram que era de prata.               Tempos modernos, velhas práticas pernósticas. E foi então que a centenária proprietária chorou. Chorou quase como chorou pelo marido, pelos filhos. Chorou de tristeza bruta, pois nem mais seu instrumento de distração de todas as dores, tinha mais. O que seria então da vida... Esperava o corte, agora, pela tesoura de Deus...
·         Sonone Luiz




 
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